Apucarana reúne especialistas de referência nacional para fortalecer acolhimento familiar de crianças e adolescentes

Segundo a Prefeitura de Apucarana, o 1º Seminário Municipal de Acolhimento Familiar será realizado em 23 de outubro de 2026, no Cine Teatro Fênix. O encontro vai discutir a proteção de crianças e adolescentes afastados de suas famílias por situações de violência ou violação de direitos.

O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora já funciona no município. De acordo com a prefeitura, o seminário busca ampliar o conhecimento sobre essa iniciativa e mobilizar a comunidade para participar.

Profissionais da rede de proteção, representantes de instituições e moradores estão entre os participantes previstos. A prefeitura informou que o evento gratuito também despertou interesse de pessoas de outros 27 municípios.

acolhimento familiar

Especialistas do Paraná e de outras regiões do Brasil estarão no encontro, que terá palestras e debates. A programação aborda o funcionamento do acolhimento familiar, o apoio às famílias cuidadoras e a atuação articulada na proteção de crianças e adolescentes.

Seminário reúne especialistas e profissionais da rede de proteção

Na entrevista coletiva de 22 de outubro, o prefeito Rodolfo Mota disse que a divulgação do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora pretende explicar seu funcionamento e apresentar à população formas de participação. Segundo ele, parte dos moradores ainda desconhece que pode integrar a iniciativa.

A secretária municipal de Assistência Social, Fabíola Cristina Carrero, informou que a programação inclui palestras e debates, com atividades pela manhã e à tarde. Ela também explicou que interessados sem inscrição antecipada poderiam se inscrever na chegada ao Cine Teatro Fênix.

Neusa Cerutti, diretora técnica do Instituto Acolher, afirmou que o Paraná se tornou referência nacional no acolhimento familiar e atribuiu esse resultado à articulação entre profissionais, instituições e poder público. Para a especialista, a política pública é construída com a participação conjunta desses setores.

Como funciona o acolhimento em família acolhedora

O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora recebe temporariamente crianças e adolescentes afastados da família de origem por situações de risco ou violação de direitos. A participação depende de avaliação técnica e preparação dos interessados, e o acolhimento não equivale à adoção nem cria vínculo de filiação.



Neusa Cerutti ressaltou que, nessa modalidade, cada criança pode receber atenção individualizada em uma casa. Ela comparou a complexidade do atendimento à de uma UTI na área da saúde, observando que as crianças podem chegar em condições difíceis de saúde emocional, mental e, muitas vezes, física.

A especialista também afirmou que a criança continua sob responsabilidade do Estado durante o período em que vive com uma família acolhedora. Por isso, os cuidadores precisam de acompanhamento, suporte e uma equipe técnica preparada para apoiar o trabalho.

Ao recordar a experiência do serviço de Cascavel, que chegou a contar com 230 famílias em acolhimento, Neusa destacou a relevância do apoio técnico e da valorização dos cuidadores. Em Apucarana, as famílias acolhedoras recebem subsídio financeiro municipal para contribuir com os cuidados, e os interessados podem procurar a Secretaria Municipal de Assistência Social para conhecer requisitos e etapas de avaliação e preparação.

Palestrantes e participação no encontro

Entre os convidados está Neusa Cerutti, assistente social, advogada e mestre em Serviço Social pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Diretora técnica do Instituto Acolher, ela atuou por 11 anos no serviço de Cascavel, orienta equipes em diferentes regiões do país e é coautora de publicações sobre convivência familiar e comunitária.

O desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) Sérgio Luiz Kreuz é mestre em Direito das Relações Sociais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tem especializações em Direito Civil pela Universidade Clássica de Lisboa e em Criminologia pela Universidade de Hamburgo. Ele é cofundador do Serviço de Acolhimento Familiar de Cascavel e atua na coordenação de iniciativas do Judiciário paranaense voltadas à infância e à juventude.

Também participa Luciano Machado de Souza, promotor de Justiça do Ministério Público do Paraná (MPPR), doutor e mestre em Direito pela UFPR, com atuação na proteção dos direitos de crianças, adolescentes e pessoas com deficiência. A pesquisadora e assistente social Natália da Silva Figueiredo, doutora e mestre em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pesquisa serviços de família acolhedora e tem experiência na formação e assessoria de equipes de acolhimento familiar e institucional.

Serviço

  • Evento: 1º Seminário Municipal de Acolhimento Familiar
  • Data: sexta-feira (23/10)
  • Horário: recepção a partir das 8h30; atividades das 9h às 12h e das 13h às 17h
  • Local: Cine Teatro Fênix, em Apucarana
  • Entrada: gratuita; inscrição no local para quem não se inscreveu antecipadamente


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