Uma Celebração Histórica para Apucarana
No dia 27 de dezembro de 2025, a cidade de Apucarana, localizada no estado do Paraná, testemunhou um momento muito significativo para a comunidade católica local: a ordenação sacerdotal de cinco novos padres. Entre os neossacerdotes, destacou-se Henrique Benevenuto de Souza, um viúvo de 74 anos. A cerimônia aconteceu na Catedral Basílica Nossa Senhora de Lourdes e foi presidida pelo bispo diocesano, dom Carlos José de Oliveira. Este evento não apenas marcou a conclusão de um Ano Santo, mas também simbolizou uma continuidade da tradição sacerdotal na diocese.
A celebração foi um verdadeiro marco, não apenas para a diocese de Apucarana, mas para toda a Igreja Católica. A presença de fiéis, amigos e familiares dos ordenandos encheu a catedral de alegria e esperança. Dom Carlos, em sua homilia, fez um chamado para que todos os presentes valorizassem o dom do sacerdócio e o compromisso que aqueles cinco homens estavam assumindo diante de Deus e da comunidade.
A ordenação de Henrique, em particular, é um exemplo inspirador de que não existe idade ou condição que impeça alguém de servir a Deus. Sua jornada começou ainda na infância, quando nutriu o desejo de se tornar padre, mas apenas agora se concretiza. O bispo destacou que a história da diocese se entrelaça com a vida de Henrique, ressaltando seu papel significativo no desenvolvimento da Igreja local desde sua fundação em 1965.

O Chamado de Henrique Benevenuto de Souza
A vida de Henrique Benevenuto de Souza é marcada por um forte sentido de vocação e fé. Nascido em uma família católica, seu desejo de se tornar padre começou bem cedo, aos cinco anos, quando viu seu irmão mais velho se preparar para entrar no seminário. Nessa época, Henrique prometeu a si mesmo que um dia também seguiria o mesmo caminho. Apesar de seu irmão não ter permanecido como seminarista, Henrique manteve firme seu desejo, mostrando que o chamado de Deus pode se manifestar de várias maneiras.
Henrique ingressou no seminário aos 16 anos, onde permaneceu até os 22. Durante esse período, conheceu e casou-se com Teresinha, formando uma família e tendo dois filhos. Isso, no entanto, não o afastou de sua vocação. Ele manteve a forte conexão com a vida sacerdotal, lecionando e participando ativamente da formação de novos sacerdotes e do acompanhamento de seminaristas.
Após o falecimento de sua esposa, após 43 anos de casamento, Henrique sentiu um novo chamado e decidiu seguir em frente no caminho do sacerdócio. Essa transição foi marcada por um profundo estado de reflexão e aceitação da vontade de Deus em sua vida. Ele declarou que o sacerdócio é um mistério e que ele aceitou o chamado divino, mesmo que não compreendesse completamente seu caminho até ali.
A Importância do Sacerdócio na Vida Moderna
O sacerdócio, especialmente em tempos contemporâneos, desempenha um papel fundamental na vida espiritual de uma comunidade. Os padres são vistos como guias espirituais, oferecendo apoio, aconselhamento e, principalmente, os sacramentos que sustentam a vida da Igreja. Na missa de ordenação, dom Carlos enfatizou que os neossacerdotes têm a responsabilidade de serem homens de fé, comprometidos com a oração e a eucaristia.
Com o avanço da secularização e a diminuição da prática religiosa em muitos países, a presença de novos sacerdotes é vital para revitalizar a fé entre os fiéis. A figura do sacerdote é muitas vezes um símbolo de esperança e entrega,-estimulando as pessoas a se reconectarem com sua espiritualidade.
Além disso, o sacerdócio é uma vocação que requer uma entrega total ao serviço. A vida de um padre é marcada por sacrifícios, mas também por oportunidades de crescimento espiritual e pessoal. Henriques e os outros novos padres foram incentivados a viverem uma vida em contato com as necessidades de suas comunidades, atendendo não apenas às demandas espirituais, mas também às sociais e emocionais.
Reflexões sobre Vocação e Idade
A história de Henrique mostra que a vocação pode se manifestar em qualquer fase da vida. Sua ordenação aos 74 anos desafia a ideia de que há um limite de idade para determinações espirituais. Essa reflexão é extremamente importante, pois muitas vezes pessoas se sentem desencorajadas a seguir seus sonhos ou vocações devido à sua idade. Henrique é a prova viva de que o chamado de Deus pode surgir a qualquer momento.
Na homilia, dom Carlos destacou que “não há idade ou condição que impeça alguém de servir a Jesus Cristo” e que cada pessoa deve estar atenta aos sinais de Deus em suas vidas. Henrique, após a morte de sua esposa, mostrou que sua grande capacidade de amor e compromisso poderia se transformar em um novo tipo de serviço à comunidade católica.
Essa mensagem ressoa com muitos que podem se sentir perdidos ou sem propósito em suas vidas. Ser um padre é mais do que uma nomenclatura; é um chamado para proporcionar esperança e amor ao próximo. A vitalidade do sacerdócio é essencial para o fortalecimento da Igreja e o apoio às necessidades da sociedade contemporânea, tornando-se ainda mais incalculável em tempos de crise e incerteza.
O Papel dos Pais na Formação de Sacerdotes
A formação de novos sacerdotes é um processo que não depende apenas das instituições religiosas, mas é muitas vezes influenciada pela educação e valores transmitidos em casa. No caso de Henrique, sua vocação foi profundamente entendida e incentivada por sua família desde a infância. O papel dos pais é fundamental, pois são eles quem moldam a base espiritual e moral de seus filhos.
As conversas em família sobre fé, oração e a importância da comunidade são essenciais para o desenvolvimento de aqueles que podem vir a se tornar sacerdotes. Os pais têm o poder de inspirar seus filhos a seguirem caminhos de amor e serviço, e a história de Henrique evidencia isso com clareza.
Assim, a Igreja deve também apoiar as famílias na formação de seus filhos, criando espaços para que a fé seja vivida e partilhada. É essencial que as comunidades alimentem o desejo de serviço e a consciência vocacional entre os jovens, encorajando-os a considerar o sacerdócio como uma opção viável e desejável.
Henrique e sua Formação no Seminário
A formação de Henrique no seminário foi marcada por altos e baixos, com idas e vindas. Ele ingressou aos 16 anos e, após algumas experiências, saiu e retornou mais duas vezes. Essa jornada não foi em vão; trouxe-lhe muitas lições sobre perseverança, amor e fé. Além do aprendizado acadêmico, o seminário proporcionou um espaço seguro para que Henrique explorasse sua vocação.
Nos anos em que passou no seminário, Henrique formou laços sólidos com outros jovens que buscavam o mesmo propósito, desenvolvendo uma rede de apoio que seria vital em sua futura caminhada. Essa convivência não apenas fortaleceu sua fé, mas também preparou-o para o ministério. Mesmo após seu casamento, ele continuou a participar da vida do seminário, demonstrando que a vocação sacerdotal e a vida familiar podem coexistir.
O compromisso de Henrique com a formação e a educação de novos líderes religiosos é um testemunho de sua dedicação e amor. Ele serviu como um exemplo para muitos jovens durante sua carreira como professor, e sua sabedoria e experiência foram fundamentais para inspirar novos sacerdotes. O seminário não é apenas um lugar de aprendizado, mas também um espaço de amadurecimento humano e espiritual.
A Vida de Casado e o Sacerdócio
A vida de Henrique, casado e pai de dois filhos, oferece uma perspectiva valiosa sobre como o sacerdócio pode ser vivido em diferentes contextos. Muitas vezes, o chamado à vida religiosa é visto como um caminho separado do casamento e da família. No entanto, Henrique mostra que a vocação sacerdotal pode e deve dialogar com a vida familiar.
O amor e a fé que ele cultivou em sua casa eram fundamentais para sua vivência da espiritualidade. Henrique e sua esposa, Teresinha, promoviam um lar de formação espiritual, onde a oração e a presença constante de padres e seminaristas eram elementos diários. Esse ambiente favorecendo a espiritualidade serviu não apenas para Henrique, mas também para seus filhos, que cresceram imersos na vida de fé.
A experiência de Henrique como pai também o ajudou a compreender melhor o papel de um sacerdote até um certo ponto, pois ambos estão envolvidos nas vidas das pessoas e têm a responsabilidade de cuidar de outros. Essa conexão entre o matrimônio e o sacerdócio é uma ideia enriquecedora que permite explorações mais profundas dos conceitos de amor, serviço e entrega na Igreja.
Conexões Espirituais com a Comunidade
A ordenação de Henrique e seus companheiros representa uma nova conexão espiritual entre os sacerdotes e a comunidade que eles servirão. Durante sua cerimônia, diversos fiéis demonstraram amor e apoio, reafirmando a importância das relações no contexto religioso. Cada novo sacerdote traz consigo não apenas sua formação, mas também suas experiências de vida, que enriquecerão a vivência da fé na comunidade.
As celebrações de ordenação são momentos de intensa emoção, onde os laços entre os padres e a comunidade são fortalecidos. Os fiéis têm a oportunidade de conhecer melhor os novos sacerdotes, suas histórias e seus compromissos. A presença de Henrique e outros padres mais jovens criarão referências valiosas para os membros da comunidade, que poderão se inspirar em seus testemunhos de vida.
A conexão entre o padre e sua paróquia vai além da simples relação professor e aluno, ou pastor e ovelha. É um chamado mútuo: a comunidade deve apoiar seus padres, enquanto os padres devem apoiar e nutrir sua comunidade. Esse ciclo de amor e serviço se torna fundamental para o crescimento espiritual de ambos.
A Missa de Ordenação e seus Significados
A missa de ordenação é um evento recheado de simbolismos e significados que marcam a iniciação formal de um padre em seu ministério. Durante a cerimônia, há múltiplos rituais, como a imposição das mãos, que simboliza a transmissão do Espírito Santo. A liturgia é uma celebração da nova vida e do novo papel que os neossacerdotes assumem na Igreja.
Os momentos de oração e cânticos durante a missa criam um ambiente de reverência e santidade. Cada elemento, do incenso às orações, contribui para a atmosfera de consagração. O ato de vestir as vestes sacerdotais, que simboliza a entrega e o compromisso do padre com o serviço, é um dos pontos altos da cerimônia.
Dom Carlos, ao conduzir a cerimônia, realçou a importância da missão sacerdotal. Ele revelou que ser padre não é apenas uma função, mas uma entrega total a Deus e à Igreja. Essa mensagem ressoou com os fiéis, que puderam testemunhar de perto a seriedade e a alegria desse momento na vida de cada um dos novos sacerdotes.
A Mensagem do Bispo durante a Cerimônia
A mensagem de dom Carlos durante a missa de ordenação foi clara e inspiradora. Ele ressaltou que o sacerdócio é um grande dom e uma vocação especial, não apenas um trabalho. O bispo enfatizou a importância da oração e da espiritualidade na vida dos novos padres, encorajando-os a se manterem profundamente enraizados na fé e nas práticas devocionais.
Além disso, dom Carlos lembrou aos ordenandos que sua missão verdadeira começa no amor ao próximo. A dedicatória a servir os fiéis e ser um reflexo do amor de Deus é fundamental para a vida sacerdotal. Ele instou Henrique e os outros novos padres a serem homens dos sonhos de Deus, encarados como instrumentos de paz e esperança na sociedade atual.
A visão do bispo tem um eco profundo na expectativa da comunidade. A responsabilidade dos novos sacerdotes será não apenas de celebrar os sacramentos, mas também de consolar e apoiar aqueles que atravessam desafios, refletindo a compaixão e o amor de Cristo.


