Apucarana realizou, em 23 de outubro de 2026, o 1º Seminário Municipal de Acolhimento Familiar, dedicado ao fortalecimento do serviço e da rede de proteção. Segundo a Prefeitura, o encontro reuniu especialistas, profissionais e representantes de 27 municípios.
O evento ocorreu no Cine Teatro Fênix e integra as ações municipais para ampliar o atendimento de crianças e adolescentes que precisam de proteção temporária. A programação abordou a convivência familiar e a importância do afeto no desenvolvimento infantojuvenil.
Participaram do seminário representantes da assistência social, do sistema de Justiça e famílias acolhedoras, além de profissionais de outras cidades. A iniciativa foi promovida pela Prefeitura de Apucarana.

As discussões trataram dos desafios para fortalecer o acolhimento familiar e articular os serviços envolvidos na proteção de crianças e adolescentes. Entre os temas estiveram a atuação das instituições e a mobilização da comunidade para ampliar a participação de famílias acolhedoras.
Seminário reúne especialistas e representantes de 27 municípios
Entre os temas apresentados no encontro esteve “Acolhimento em Família Acolhedora: processo complexo, simplificado pelo afeto”, atribuído a Neusa Cerutti, diretora do Instituto Acolher. A especialista afirmou que o afeto ajuda a humanizar um serviço relacionado a situações de violência e rompimento de vínculos familiares.
Assistente social e mestre em Serviço Social, Cerutti tem 11 anos de experiência na coordenação de um dos maiores serviços de família acolhedora do Brasil. Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Fabíola Cristina Carrero, o trabalho técnico da especialista em Apucarana começou com a capacitação de profissionais.
A programação também abordou a qualificação das equipes e a mobilização de famílias para o acolhimento familiar. Para Cerutti, esses aspectos são necessários para assegurar a crianças e adolescentes cuidado e convivência familiar.
Apucarana apresenta serviço e ações para ampliar famílias acolhedoras
O prefeito Rodolfo Mota defendeu que a proteção de crianças e adolescentes envolva diferentes áreas da administração. Ele citou o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, o Bolsa Atleta, o Bolsa para o Futuro e as atividades do Centro da Juventude como iniciativas ligadas ao cuidado e ao desenvolvimento desse público.
De acordo com Fabíola Cristina Carrero, Apucarana tem seis famílias habilitadas: três realizam acolhimentos, duas estão em período de pausa e uma está disponível para receber uma criança ou adolescente. A secretária informou que a meta municipal é aumentar a participação de famílias, com apoio técnico e ações de sensibilização da comunidade.
A capacitação de profissionais e a mobilização de novas famílias fazem parte das ações previstas para fortalecer o serviço. Segundo Carrero, o trabalho iniciado com Neusa Cerutti terá continuidade para apoiar a qualificação do acolhimento familiar no município.
Sistema de Justiça destaca convivência familiar e proteção à infância
O promotor de Justiça do Ministério Público do Paraná, Luciano Machado de Souza, apresentou o acolhimento familiar como uma responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade. Ele afirmou que o diálogo entre instituições pode ajudar a aperfeiçoar os serviços e enfrentar desafios municipais.
Souza defendeu que a criança permaneça com a família de origem quando houver condições de proteção. Quando isso não for possível, disse, o acolhimento em outra família oferece um ambiente próximo da convivência familiar, com espaço para o desenvolvimento e o afeto.
O desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, Sérgio Luiz Kreuz, informou que cerca de 19% dos acolhimentos no Paraná são feitos na modalidade familiar. A meta mencionada para 2027 é chegar a 25%, conforme recomendação conjunta de órgãos nacionais; Kreuz ressaltou que o avanço depende da participação dos municípios e da articulação institucional.
Na abertura, a pesquisadora e assistente social Natália da Silva Figueiredo, doutora em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, defendeu a ampliação da convivência familiar e a redução do tempo de permanência em instituições, sobretudo nos primeiros anos de vida. A promotora de Justiça da Comarca de Apucarana, Aracê Razaboni Teixeira, relacionou o direito à convivência familiar e comunitária à formação cidadã, enquanto a juíza Carolline de Castro Carrijo afirmou que a troca de experiências pode esclarecer dúvidas e receios de famílias sobre os vínculos afetivos no acolhimento.
Serviço
- Evento: 1º Seminário Municipal de Acolhimento Familiar
- Data: 23 de outubro de 2026
- Local: Cine Teatro Fênix


